Há alguns meses, entrava no ar uma novela que vinha com uma proposta simples, mas verdadeira. Mostrar "A Vida da Gente"(novela da Rede Globo, deLícia Manz), com personagens realistas, repletos de emoção e sentimento, complexos por vezes, ora tão simples. Enfim, parecidos com as pessoas da vida real, com problemas familiares, de relacionamento ou profissional. Assim, confesso que me emocionei quando a Ana (personagem de Fernanda Vasconcellos) se acidentou, quando voltou do coma, quando a Manu (Marjorie Estiano) se separou do Rodrigo (Rafael Cardoso), brigou com a irmã... E, muito mais ainda, com o fim...
A novela, que começou com uma sensibilidade só, terminou da mesma forma: serena, tranquila, emocionante. E trouxe, no fundo da alma, as nossas verdadeiras lembranças, amarguras, medos, incertezas e felicidades. Confesso que consegui ver o tempo passar, pensei nas lembranças que ficaram, na saudade. Lembrei dos momentos de alegria, de conquistas, de plena felicidade. Mas também recordei de momentos de perda, de derrota, de agonia, de luto, de tempestade. Quão complexos somos? Uma hora estamos repletos de alegria, plenos, e de uma hora para outra estamos perdidos, desorientados, em completa solidão, no meio do nada.
Lembrei das perdas que tive, da força que cada um tem dentro de si para superá-las, dos encontros, dos desencontros e das partidas. Mas lembrei também das vitórias, daqueles que chegaram muitas vezes sem pedir licença. E que ficaram. Quantas vezes perdemos? Quantas vezes choramos? Quantas vezes achamos que estamos no fundo do poço? Mas tudo passa. E apenas pequenas marcas ficam com o passar do tempo.
Por outro lado, também perdemos as contas de quantas vezes sorrimos, gargalhamos, amamos, sentimos. O tempo, o mesmo que é cruel, também sabe ser sereno. E passa para todos.
Nos últimos meses, não consegui acompanhar o desenrolar da história, mas, mesmo no fim, a novela não perdeu sua essência. E não precisou de vilões paranoicos e com transtorno de personalidade, nem charlatões de quinta, muito menos de comédia escrachada. Precisou mostrar exatamente o ser humano como ele é, com medos, inseguranças, tristezas, alegrias, sentimentos e amor. Enfim, precisou mostrar simplesmente "A Vida da Gente". 
